Mamadeira e bpa

mamadeira-bisfenolCom tantas matérias sobre mamadeira de plástico e bisfenol, nada mais natural do que mães e pais ficarem preocupados com os produtos que estão sendo utilizados pelos seus filhos. Preparamos uma seção especial para tratar o tema abordar também outros assuntos

PARA MAMÃES: DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE O BISFENOL A

O que é bisfenol-A (BPA)?
O bisfenol-A é um produto químico usado na fabricação de plásticos. O BPA também é utilizado no revestimento interno de quase todas as latas de alimentos e bebidas, inclusive em latas de fórmula para bebês.
Por que o bisfenol A é usado em recipientes de comidas e bebidas?
Porque ele é transparente, forte, leve e duradouro e torna o plástico mais resistente a rachaduras. O revestimento de BPA usado no interior de latas de comida e bebida evita que as latas enferrujem.
O contato com o bisfenol-A traz riscos à saúde?
Nos últimos 10 anos, estudos com animais realizados em laboratório sugeriram que quantidades mesmo muito pequenas de bisfenol-A podem ser prejudiciais para a saúde, afetando principalmente o desenvolvimento de bebês e crianças pequenas.
Quais são os possíveis perigos do bisfenol-A para a saúde?
Os perigos incluem alterações no desenvolvimento do sistema nervoso do bebê (função da glândula tiroide e crescimento do cérebro); mudanças no comportamento e no desenvolvimento do intelecto (hiperatividade e agressividade). O bisfenol-A também foi associado à obesidade, problemas cardíacos, diabetes, câncer, puberdade precoce e tardia, abortos, infertilidade e anormalidades no fígado. Pesquisas já associaram o químico a problemas sexuais em homens, como a diminuição da qualidade e da quantidade de esperma.
Como estamos expostos ao bisfenol A?

Bebês e crianças: há duas formas mais comuns de contato com o BPA:

1 – O BPA pode ser transmitido para criança através do consumo de alimentos ou bebidas acondicionadas em plástico, como mamadeiras, copinhos, pratinhos e talheres. É importante salientar que o aquecimento da mamadeira leva a um maior desprendimento do bisfenol-A, no entanto, em mamadeiras de plástico a migração vai acontecer independe dela ser aquecida ou não.
2. O BPA também pode migrar de latas, como as de leite em pó, e assim ser ingerido pela criança. É cientificamente comprovado que o bisfenol-A passa pela placenta e a contaminação do feto ocorre sempre que a mãe ingerir um produto que esteve em contato com o químico.
Adultos: Pela ingestão de alimentos ou bebidas provenientes de latas, recipientes plásticos usados para guardar alimentos na geladeira, garrafas (squeezes) e garrafões.
Como evitar o contato com o bisfenol A?
- Consuma frutas e hortaliças frescas. Ao comprar conservas prefira as de vidro.
- Não aqueça comidas ou bebidas em recipientes de plástico.
- Rejeite qualquer recipiente de plástico que estiver velho, gastou ou turvo. Isto inclui garrafas d’água.  Para acondicionar alimentos prefira os de aço inox, cerâmica ou vidro.
Como proteger o meu bebê do bisfenol A?
- Evite ingerir bisfenol-A se estiver grávida ou em fase de amamentação;
- Dê leite materno;
- Prefira mamadeiras de vidro ou que tenham o selo BPA free.

BEBÊS SÃO OS QUE MAIS ABSORVEM BISFENOL A

Estudo revela que bebês que mamam de mamadeiras são os mais afetados; mesmo doses muito pequenas da substância pode ter impacto negativo sobre a saúde

O bisfenol A (BPA) é um elemento chave na fabricação de policarbonato e resinas epóxi – aproximadamente 3 milhões de toneladas são produzidas no mundo anualmente. Muitos plásticos que estão no nosso dia a dia, equipamentos médicos, mamadeiras e embalagens são feitos com policarbonato. A resina epóxi é utilizada como verniz interior de latas de alimentos e bebidas e também como selador de encanamentos. O BPA entra em nossos corpos pelo contato do alimento com embalagens plásticas. Mesmo pequenas doses dessa substância podem afetar o desenvolvimento sexual, especialmente em fetos masculinos e em bebês. Baseado em estudos toxicológicos, a European Food Authority (Autoridade Alimentar Européia – EFA) estabeleceu um limite diário de consumo de BPA em 50 microgramas por kg de massa corporal. “No entanto, o limite não incluí estudos feitos sobre o impacto hormonal do BPA, que normalmente são difíceis de interpretar,”disse Natalie von Götz, uma pesquisadora do Instituto de Química e Bioengenharia (Institute of Chemistry and Bioengineering).

Von Götz é a primeira cientista a publicar um estudo onde os vários meios de exposição ao BPA são relacionados às consequências da exposição. O objetivo era calcular valores médios representativos para as doses de BPA por kg de massa corporal para nove grupos de idades na Suíça, Alemanha e Austria. A equipe de pesquisa do Konrad Hungerbühler’s Safety and Environmental Technology Group começou determinando quais doses eram absorvidas por que produtos. Isso foi feito medindo a concentração do BPA em vários alimentos e outras fontes relevantes. O resultado foi multiplicado pelo total absorvido pela pessoa, dado já coletado em estudos anteriores. Por último o total acima foi dividido pelo peso do consumidor. Os pesquisadores chegaram então a doses individuais de 17 fontes estudadas para obter o valor médio de consumo de BPA para cada grupo de idade.

Bebês e mamadeiras – O estudo revelou que bebês absorvem mais BPA. Bebês que mamam em mamadeiras com BPA são os mais afetados, em média ingerindo 0.8 microgramas de BPA por quilo de massa corporal através do contato do leite com a garrafa. Esse montante é abaixo do que é permitido legalmente. “Estudos recentes porém, demonstraram que em ratos, mesmo doses muito pequenas, podem ter um impacto negativo”, afirmou von Götz. A exposição diminui com a idade, embora o estudo relate que a exposição também depende da dieta e do estilo de vida: pessoas que ingerem alimentos enlatados, esquentam comida em embalagens plásticas feitas com policarbonato no micro-ondas ou acabaram de fazer ou refazer obturações com resina epóxi são expostas a uma maior dose de BPA. A diferença desse novo estudo é que foi o primeiro a examinar o quanto fontes individuais contribuem para o total da exposição, estressa von Götz. No entanto, o estudo também revelou que mais pesquisas são necessárias. Por exemplo, o BPA está presente em enlatados em diferentes quantidades e se são diferentes pelo tipo de lata ou pelo modo como o alimento foi processado ainda não está claro. Von Götz diz que é necessário que indústrias dividam seu conhecimento e que mais pesquisas sejam feitas. Afinal, de acordo com a pesquisadora, precisamos reduzir a quantidade de substâncias químicas que são liberadas das embalagens em nossos alimentos. É claro que materiais sintéticos não podem ser totalmente eliminados por apresentarem consideráveis qualidades, o revestimento de enlatados protege os alimentos e também a lata de corrosão, por exemplo.

BISFENOL A PASSA DA PLACENTA PARA O FETO

Estudo inédito mostra que o bisfenol A, uma substância nociva encontrada em alguns plásticos, passa da placenta para o bebê. Os cientistas que estudam essa substância querem que ela seja banida. Veja o que fazer

Um estudo recém-publicado pos pesquisadores japoneses mostra, pela primeira vez, que o bisfenol A, uma substância encontrada em alguns plásticos e nociva para o nosso organismo, passa da placenta da gestante para o feto. O estudo mostrou ainda que o fígado do bebê não é capaz de processar essa substância. O estudo foi realizado com roedores. Segundo os cientistas, o sangue materno e os vasos do feto, nos animais, são separados por duas camadas. No caso do ser humano existe apenas auma, o que levou a equipe a acreditar que isso pode ser ainda mais perigoso.

Vários pesquisas mostram que ele poderia provocar câncer, influenciar na má formação dos órgãos masculinos do feto e ser um dos responsáveis pela puberdade precoce em meninas (o componente imitaria o hormônio feminino estrogênio), e até ser uma das causas da hiperatividade. As pesquisas indicam que o risco seria maior em crianças, porque elas são mais frágeis a esses malefícios. Por isso o bisfenol A foi banido no Canadá, na França, Dinamarca e na Costa Rica.

Nos Estados Unidos o material é proibido apenas nos estados de Chicago e Minnesota, mas a tendência e que o veto se estenda por outros estados. Na última semana a Agência de Proteção Ambiental americana classificou o bisfenol A como preocupante. Isso esquentou a discussão no país, mas ainda não foi suficiente para modificar a legislação e a postura da FDA (agência norte-americana que regula produtos alimentícios e farmacêuticos). Assim como brasileira Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a FDA diz que a quantidade de bisfenol A presente em plásticos (0,6 mg/kg) é segura.

Segundo eles, o componente é completamente eliminado pela urina, sem alcançar a corrente sanguínea. Do outro lado estão os pesquisadores que estudam o impacto dessas substâncias na vida das pessoas. Para eles, não existe nível seguro. Até a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que é contra o uso de mamadeiras, faz ressalvas. “Os pais devem evitar os produtos com essa substância”, diz Paulo Nader, presidente do Departamento de Neonatologia da SBP.

No Brasil, a discussão só acontece entre os cientistas e passa despercebida pela maioria da população. Mas nos Estados Unidos a procura dos consumidores por mamadeiras com plásticos feitos sem bisfenol A é grande. Por isso lojas infantis adotaram a venda de produtos livres da substância como estratégia de marketing. Esse é o caso da Baby “R” Us que anunciou que só comercializa produtos BPA-free. Mas nem todas as lojas seguem essa tendência, as britânicas Mothercare e Boots, por exemplo, continuam vendendo produtos com bisfenol A em suas lojas presentes em vários países.

Falta informação – A engenheira química Sônia Corina Hess, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, estuda os efeitos nocivos dessa substância há dez anos. No fim de 2008, quando o governo canadense mostrou-se inclinado a proibir a venda de produtos com bisfenol A, ela preparou um parecer técnico reunindo todas as pesquisas que mostravam os riscos à nossa saúde. O documento foi entregue ao Ministério Público, mas não houve discussão.

CRESCER entrou em contato com diversas universidades brasileiras para repercutir as informações. Algumas assessorias de imprensa disseram que não tinham profissionais para falar sobre o tema, outras diziam que os médicos não se sentiam seguros. O médico Paulo Saldiva, chefe do Laboratório de Poluição da USP-SP e um dos maiores especialistas em substâncias nocivas à nossa saúde, tem uma explicação. “Falta no Brasil uma política ambiental que cuide das pessoas. Ela já foi criada no papel, mas não é funcional. Por isso, poucos falam sobre o assunto”, diz.

Não é pelo contato direto com a nossa pele que a substância entra no organismo. Ela é liberada quando o alimento está armazenado em um recipiente feito com bisfenol A. Quando o plástico é aquecido – como no micro-ondas – a liberação é ainda maior. O último estudo publicado, da Faculdade de Saúde Pública de Harvard (EUA), analisou por uma semana o nível de bisfenol A na urina de 77 participantes que tomaram líquidos em garrafas plásticas. O aumento da concentração dessa substância chegou a 69%, considerado um nível alto.

O que você deve fazer – Não pense no quanto você já esquentou a mamadeira, por exemplo, foque no futuro. Substitua o plástico por opções sem bisfenol A (a informação vem na embalagem) ou pelo vidro. Sim, são mais caros, mas valem a pena. Se você não conseguir encontrá-los, já que no Brasil a oferta ainda é modesta, compre plásticos de números 3 ou 5 (a informação vem no fundo da embalagem), que tem menos bisfenol A. Esterilize do jeito você fazia. Depois que a mamadeira esfriar, lave-a em água corrente e seque. Esquente o alimento em outro recipiente e só depois coloque no plástico pois, assim, a transferência de bisfenol A é menor. “Quanto melhor a qualidade do plástico, menor a transferência. Mas mesmo assim não estamos imunes”, diz Saldiva.

Texto originalmente publicado no www.crescer.com.br por Thaís Lazzeri em 17 de abril de 2010.

FRANÇA PROÍBE A VENDA DE MAMADEIRAS COM BISFENOL A

Produto já havia sido vetado em creches municipais como forma de prevenção

Senadores franceses aprovaram ontem a lei que proíbe o uso de bisfenol-A (BPA) na fabricação de alguns plásticos, em especial o utilizado na fabricação de mamadeiras. A votação ocorreu após a AFSSA, órgão que corresponde a Anvisa francesa, publicar um relatório em fevereiro alertando sobre os possíveis riscos à saúde causados pelo bisfenol-A.

O bisfenol-A é um composto químico que migra para os alimentos quando o plástico é aquecido. Pesquisas já associaram o BPA a uma problemas cardíacos, diabetes, anormalidades no fígado e também problemas cerebrais e no desenvolvimento hormonal em crianças e recém-nascidos. Alguns estudos também provam que o bisfenol-A é responsável pelo crescimento de células cancerígenas, diminuição de esperma e micropenia.

Creches municipais nas cidades de Paris e Besançon já haviam parado de usar mamadeiras com bisfenol-A como medida de prevenção. A lei ainda tem que ser aprovada na Assembléia Nacional. A França será o primeiro país da Comunidade Européia a proibir o químico.

Amanhã a European Food Safety Authoriy (EFSA) organizará uma reunião em Parma para discutir as últimas pesquisas feitas com bisfenol-A.  Para que a conclusão final seja baseada no que há de mais atual em pesquisas participarão da reunião especialistas de vários países da Comunidade Européia.

Na reunião, durante um painel científico sobre embalagens e alimentos, a EFSA apresentará o primeiro esboço do relatório sobre o BPA. Também haverá a paresentaçaõ dos primeiros resultados de um estudo que levantou todas as pesquisas científicas já feitas sobre o assunto. A EFSA publicou relatórios sobre o BPA em janeiro de 2007 e julho de 2008. Em outubro do ano passado, a Comissão Européia recebeu o pedido para que fosse revista a relevância de novos estudos que relacionavam o BPA a problemas de desenvolvimento do sistema neurológico. Também foi pedido uma revisão de outros novos estudos que pudessem impactar a opinião anterior em relação ao BPA.

Em maio desse ano, a cidade de Chicago proibiu a venda de mamadeiras e copos infantis com BPA. Minnesota e Connecticut também proibiram a venda de mamadeiras e copos infantis com BPA. No Canadá, desde 1998, o governo declarou o bisfenol-A uma substância tóxica. No Brasil, a Anvisa considera seguro o consumo de Bisfenol.

Fonte:
AFP , The Conexion France in English e EFSA

MAMADEIRA E BISFENOL A

Com tantas reportagens sobre a relação entre mamadeiras e bisfenol-a (BPA), nada mais natural do que mães e pais se preocuparem com os produtos que seus filhos estão utilizando. Não se trata de preocupação em excesso, pois pesquisas realizadas no mundo inteiro já associaram o bisfenol-a a doenças como diabetes, cânceres, mudanças comportamentais, alterações no sistema reprodutivo e no desenvolvimento hormonal de bebês, infertilidade, obesidade e puberdade precoce. A lista de complicações é extensa. E, apesar da influência de substâncias químicas na saúde do nosso organismo ainda ser subestimada, países como Canadá, Dinamarca e Costa Rica já baniram o bisfenol-a de mamadeiras e produtos destinados ao público infantil. No Japão, sem que fosse preciso alguma atitude do governo, fabricantes de produtos infantis decidiram retirar o BPA da formulação de embalagens de alimentos. Na França, o senado aprovou recentemente a proibição da comercialização de mamadeiras com BPA. O químico também é motivo de alerta nos Estados Unidos, que o colocou na lista das substâncias consideradas prejudiciais ao meio ambiente. Os estados de Minessota, Connecticut, Wiscosin e Washington, além das cidades de Chicago e Rockford proibiram o BPA em mamadeiras e copos infantis.
Origem - Utilizado desde a década de 1940 na fabricação de policarbonato e resinas epóxi, o bisfenol-a está presente na maioria das embalagens de plásticos que utilizamos, em latas de comidas e bebidas, mamadeiras e copos infantis, utensílios de plástico e garrafas reutilizáveis de água (squeeze). Os perigos do químico decorrem de seu desprendimento do plástico e, conseqüentemente, da contaminação de alimento e bebidas. Pesquisas comprovaram que a substância fica ativa durante muitos anos e o desprendimento ocorre independente do aquecimento do mesmo. Isso significa que, no caso específico da alimentação de bebês, mesmo quando o leite é aquecido fora do recipiente de plástico, ao ser colocado em contato com a mamadeira, o líquido é contaminado pelo bisfenol-a. A contaminação também ocorre quando a escova de limpeza arranha o plático favorecendo o desprendimento de partículas. Apesar dessas informações serem comprovadas, ainda não há nenhuma exigência para que as empresas que produzem o BPA provem que a substância é inofensiva à saúde.
Não existe nível seguro – Na indecisão sobre qual atitude tomar, agências reguladoras costumam argumentar que em doses baixas o BPA é seguro. Isso não é verdade. Uma pesquisa recente feita pelo National Workgroup for Safe Markets, um grupo de defesa ao consumidor, com a colaboração de 19 organizações que incluíram o Breast Cancer Fund, e a Universidade Tufts compilou resultados de várias pesquisas e relacionou quantidades de exposição de BPA e danos à saúde. A tabela foi baseada na publicação do grupo Environmental Working Group:

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Desde então, o Food and Drug Administration (FDA) – a agência  responsável pela regulamentação de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos – está revendo sua posição e irá investir na pesquisa dos efeitos prejudiciais à saúde do BPA em baixas doses e estudará uma forma de reduzir a exposição ao químico. Em 2008, a agência publicou relatório onde considerava o químico seguro. Após a publicação, cientistas que participaram da formulação do relatório apontaram a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto.
Bebês são os que mais absorvem bisfenol-A – Em artigo publicado pela revista Science Daily, a pesquisadora suíça Natalie von Götz, concluiu que bebês que mamam em mamadeiras são os mais vulneráveis ao bisfenol-a. Outra pesquisa, da  Através do contato do leite com a garrafa eles ingerem em média 0.8 microgramas de BPA por kg de massa corporal. Embora o montante esteja abaixo do limite diário de consumo estabelecido pela European Food Authority  (EPA), de 50 microgramas por kg de massa corporal, a pesquisa alerta que a regulamentação não inclui estudos feitos sobre o impacto hormonal do BPA. Na mesma direção, o relatório do Conselho do Câncer do Presidente dos Estados Unidos, entregue a Barak Obahma em maio deste ano, afirmou que o bisfenol-a está entre os grandes causadores da doença, sobretudo em bebês que já nascem “pré-poluídos” . O documento dedicou um capítulo especial às gestantes depois que foram detectados cerca de 300 contaminantes no cordão umbilical de recém-nascidos, comprovando que as substâncias químicas vão da mãe para o feto.

Dicas para as mamães:

- Para evitar o bisfenol-a é preciso não só pensar naquilo que se come, mas principalmente na embalagem do produto a ser consumido.
- Use mamadeiras e utensílios de vidro ou bpa free para os bebês. Quando aquecido, o plástico libera uma quantidade maior de bisfenol-a.
- Exija das lojas e fabricantes de produtos infantis que disponibilizem mamadeiras, copos e brinquedos sem bisfenol-a. Evite acondicionar alimentos ou bebidas em  plásticos de número 3,6 e 7. O 3  e o 7 contêm BPA e o 6 contém estireno que também é tóxico.
- Adote hábitos alimentares saudáveis. Evite os enlatados e utilize porcelana, vidro ou aço inoxidável para armazenar e servir bebidas e alimentos.
- O bisfenol-a é usado na fabricação de mamadeiras, e mesmo as mais velhas são prejudiciais à saúde. A substância continua ativa durante muitos anos depois da produção.
- Os bicos de mamadeira são feitos de silicone e não contém bisfenol-a.

Se você quiser saber mais sobre os resultados das pesquisas que relacionam os efeitos da exposição ao bisfenol-a, veja:

(1) – Wozniak AL, et al. (2005). Xenoestrogens at picomolar to nanomolar concentrations trigger membrane
estrogen receptor- alpha-mediated Ca2+ fluxes and olactin release in GH3/B6 pituitary tumor cells.
Environmental Health Perspectives 113(4):431-9.
(2) – Muñoz-de-Toro M, Markey C, Wadia PR, Luque EH, Rubin BS, Sonnenschein C, Soto AM (2005).
Perinatal Exposure to Bisphenol A Alters Peripubertal Mammary Gland Development in Mice.
Endocrinology 146:4138-4147.
(3) – Markey CM, Wadia PR, Rubin BS, Sonnenschein C, Soto AM (2005). Long-term Effects of Fetal Exposure
to Low Doses of the Xenoestrogen Bisphenol-A in the Female Mouse Genital Tract.
Biology of Reproduction 72:1344-1351.
(4) – Chitra KC, Latchoumycandane C, Mathur PP (2003). Induction of oxidative stress by bisphenol A in the
epididymal sperm of rats. Toxicology, 185(1-2):119-127.
(5) – Vandenberg LN, Maffini MV, Wadia PR, Sonnenschein C, Rubin BS, Soto AM (2007).
Exposure to environmentally relevant doses of the xenoestrogen bisphenol-A alters development of the fetal
mouse mammary gland. Endocrinology 148(1): 116-27.
(6) – Newbold R, Jefferson N, Padilla-Banks E (2009). Prenatal exposure to bisphenol a at environmentally
relevant doses adversely affects the murine female reproductive tract later in life.
Environmental Health Perspectives 117(6):879–885.
(7) – Nagel SC, vom Saal FS, Thayer KA, Dhar MG, Boechler M, Welshons WV (1997). Relative Binding
Affinity-Serum Modified Access (RBA-SMA) Assay Predicts the Relative in vivo Bioactivity of the
Xenoestrogens Bisphenol A and Octylphenol. Environmental Health Perspectives 105(1):70-76.
(8) – Kawai K, Nozaki T, Nishikata H, Aou S, Takii M, Kubo C (2003). Aggressive Behavior and Serum
Testosterone Concentration During the Maturation Process of Male Mice: The Effects of Fetal Exposure to
Bisphenol A. Environmental Health Perspectives 111:175-178.
(9) – Howdeshell K, Hotchkiss AK, Thayer KA, Vandenbergh JG, vom Saal FS (1999). Plastic bisphenol A speeds
growth and puberty. Nature 401:762-764.
(10) – Honma S, Suzuki A, Buchanan DL, Katsu Y, Watanabe H, Iguchi T (2002). Low dose effect of in utero
exposure to bisphenol A and diethylstilbestrol on female mouse reproduction.
Reproductive Toxicology 16:117-22.
(11) – Akingbemi BT, Sottas CM, Koulova AI, Klinefelter GR, Hardy MP (2004). Inhibition of testicular
steroidogenesis by the xenoestrogen bisphenol A is associated with reduced pituitary luteinizing hormone
secretion and decreased steroidogenic enzyme gene expression in rat Leydig cells. Endocrinology 145(2):592-603.
(12) – Murray TJ, Maffini MV, Ucci AA, Sonnenschein C, Soto AM (2007). Induction of Mammary Gland Ductal
Hyperplasias and Carcinoma in situ Following Fetal Bisphenol A Exposure. Reproductive Toxicology 23:383-390.

Tire suas dúvidas sobre o bisfenol-A

já encontro mamadeiras sem bisfenol-A?
Sim, já Existem mamadeiras sem bisfenol-A, mas dificilmente são encontradas. Grandes empresas do ramo prometem que dentro de 6 meses os pais vão achá-las com mais facilidade. Outra opção é a de vidro.
Quando aquecido, o plástico libera Uma quantidade maior de bisfenol-A.
Devo esterilizar as mamadeiras menos vezes ao dia?
Não é necessário. Basta lavar a mamadeira em água corrente depois de fazer a esterilização.

Quanto tempo o alimento quente pode ficar dentro desse plástico?
No caso dos alimentos, é melhor colocá-los em recipientes de vidro ou então servi-los em pratos de porcelana ou os que não tenham bisfenol A. Se for líquido, não deixe o volume lá dentro por muito tempo – como na hora de preparar a mamadeira da noite com antecedência. Faça a mamadeira e sirva na hora.

E nos berçários: como garantir que eles não aqueçam o líquido dentro da mamadeira?
Infelizmente, não dá mesmo para contar com esse tipo de garantia. Se o bebê não rejeitar o alimento frio, é melhor pedir para servi-lo sem aquecer. Quanto menos calor, e quanto menos tempo o alimento permanecer na mamadeira, melhor.

O plástico do bico da chupeta também é prejudicial?
Não. Esse tipo de plástico é mais duro – e o que daria flexibilidade a ele é o bisfenol-A.